foi apenas um sonho
Por Crib Tanaka
Foi apenas um sonho, com Kate Winslet (April Wheeler) e Leonardo di Caprio (Frank Wheeler), começa com uma típica cena de amor à primeira vista, em meio a uma festa. O casal emenda olhares sedutores em um diálogo que remete às paixões aventureiras, imediatas, cheias de ideologia e sonhos, mas eternas.
Logo após essa primeira cena, saltamos para um casamento com dois filhos, uma carreira frustada como atriz, combinada à cansativa rotina de dona de casa e o trabalho maçante de vendedor. Em poucos minutos, a sensação do final feliz-desde-o-começo é engolida por angustiantes ruídos, decepções e desavenças.
Os Wheeler vêem sua vida cair na zona de conforto e, após anos de frustrações profissionais e conflitos, resolvem dar uma reviravolta e se mudarem para Paris, atrás de um recomeço. A idéia de um novo start motiva os dois e, por alguns momentos, revigora a relação.
Em meio aos preparativos para a “viagem de suas vidas“, ela descobre estar grávida e ele recebe uma proposta de promoção no trabalho. Enquanto ela vive o dilema de ter ou não a criança, ele pensa na promoção como solução financeira para viagens e programas que acabariam com a rotina que entristece os dois. As dúvidas são, durante um tempo, vividas silenciosamente pelos dois. E, a partir do momento em que são compartilhadas, tornam-se conflitos dolorosos e determinantes.
O casal recebe amigos que os consideram exemplo de casal perfeito
Do meio do filme ao final, muita angústia, incompreensão e medo, em diálogos pontiagudos, densos e crus. Medo das palavras ditas e ouvidas na hora errada, de deixar os desejos escondidos atrás das cômodas, de não ver a deterioração do tempo acontecendo no dia-a-dia.
Quando o filme termina, ficou pra mim uma mensagem: nunca deixe a vida cobrir os caminhos sonhados.




